sexta-feira, 4 de março de 2011

...E O 56 NÃO VEIO

...E O 56 NÃO VEIO

Eu ontem esperei ás 7 em ponto
ainda dei uma hora de desconto,
os ponteiros do relógio
pareciam me dizer:
"vai embora meu amigo,
ela não vai aparecer".
Será que ela não veio porque se zangou?
Ou o bonde alegria descarrilou?
Houve qualquer coisa de anormal,
ela sempre foi pra mim,
tão pontual.
Fui ao chefe da Light,
perguntei ao inspetor
o que houve com o 56.
Esse bonde sempre trouxe meu amor,
será que ela não veio porque se zangou?
Ou o bonde alegria descarrilou?

TRISTEZA...

Tristeza,
por favor vá embora,
minha alma que chora
está vendo o meu fim.
Fez do meu coração
a sua moradia.
já é demais o meu pensar ,
quero voltar aquela vida
de alegria,
quero de novo cantar...

JURO..

Juro,
nunca mais tive alegria
depois daquele dia
em que te abandonei
eu te juro que chorei.
Quando me vi sozinho
sofri tanto sem o teu carinho,
chorei,
eu te juro que chorei
Ela sabia que eu ia sofrer tanto assim
ela gostava de mim
eu sabia e não liguei
ela não quer mais me ver
nem quer me perdoar
eu me contento em chorar
pois choro e nem sei.

Monólogo do Ator


Num ritual meu , simples e cotidiano, bebo na taça: vinho tinto, vinho seco, as vezes doce, cítrico...Etílico.
 Acendo meu cigarro e mesmo não-fumante trago .
Passo a  tragar a vida num gole de vinho e conversar com minhas canções, contar pro silêncio o ‘não-dito’ sobre mim.
 Sabe a solidão que não se sente?... aquela que não dói?
 Sabe aquela música triste que risca nosso olho de tanto tocar e tocar e tocar?
Sabe a voz da cantora no canto de um bar, sobre um piano embriagada...?
 Sabe de mim? !
 De mim o quê? De mim o quê, se sou algo que eu mesmo procuro e fecho os olhos prá não ver?
Se sou um passado remontado em fantasmas, um colo materno assustado, um barulho surdo  não meu?
 Saber, saber o quê, se da minha dor nem eu sei, se não consigo vê-la prá cuspir na sua cara e dizer: -Vá pro diabo que a carregue!!
  Acontece que dá de aparecer um todo mundo, uma gente toda prá dizer de mim!
Dizem que ainda sou aquele menino assustado no canto da sala assistindo espíritos vivos. Dizem que ainda ouço o ruído que ficou fazendo eco no meu passado.
 Dizem que sou literal demais, concreto e semi-infantil. Dizem que sou cômico, zombam do meu erro, dão risada do meu ar magro e branco. Riem de mim mas nem desconfiam que no  fundo eu sou uma grande metáfora...resignada, quieta,triste,sonora e feliz.
Dizem que minha lágrima ficou presa.
Dizem ainda que ficou presa no canto esquerdo do meu olho azul...mas quem é que sabe?
Meus rituais seguem, meus rituais me perseguem...
E eu  me sinto estranho...
Único e ao mesmo tempo tantos. Mas  não sou um ator! Não sou um poeta. Sequer  intérprete da palavra: Nem  intelectual, nem literário.
 Mesmo não sendo nada disso, algo me impulsiona pro olhar da platéia e aprendo então a descortinar minhas falhas e minhas resistências.
 Sou na realidade o silêncio da canção que a minha alma lenta canta.
E num canto de um bar americano;
Num blues triste e solitário;
 No reinventar cotidiano do meu ritual;
 Bebo na taça – vinho tinto, vinho seco, as vezes doce, cítrico...Etílico.